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De que forma o Dogmatismo e as tradições se complementam?

dogmaDe um modo geral, o dogmatismo é uma espécie de fundamentalismo intelectual. Os dogmas expressam verdades certas, indubitáveis e não sujeitas a qualquer tipo de revisão ou crítica.”, e “Tradição mais precisamente é uma transmissão oral de lendas ou narrativas ou de valores espirituais de geração em geração. Uma crença de um povo, algo que é seguido conservadoramente e com respeito através das gerações. Uma recordação, memória ou costume.(Trechos retirados da Wikipédia)

Analisando as duas frases acima, podemos começar a tecer alguns comentários a respeito de dogmas e tradições. Ao invés de responder diretamente a questão levantada no titulo deste artigo, vou tentar comparar os dois conceitos analisados, e nas comparações, encontrar pontos onde eles se complementam, ou seja, como o dogma e a tradição se suportam mutuamente.

É mais fácil, começarmos a falar das tradições, e dentre todas as tradições que conhecemos, sendo participantes ou não, vou começar com talvez a que seja mais polemica, as Tradições Religiosas.

Falando sobre tradições religiosas, podemos levantar alguns assuntos, como por exemplo, o celibato, por parte dos sacerdotes católicos, o casamento de branco, que mostra a pureza da noiva, a confissão, que auxilia a livrar as almas pecadoras de seus fardos, entre muitas outras tradições que se criaram e se fortaleceram durante os séculos em que foram praticadas. Estes são exemplos de tradições, mas e o dogma, onde entra o dogma juntamente com estas tradições?

De meu ponto de vista, após muita leitura e racionalização dentro deste assunto, é de que os dogmas andam em conjunto com as tradições, e são estas, que com seu uso constante, fortalece e cria os dogmas que encontramos hoje. Em relação ao exemplo acima, é tradição que os sacerdotes devem manter seu celibato, mas esta tradição é tratada como um dogma, que afirma cegamente que o sacerdote que contrariar a esta tradição não terá para si um lugar no reino dos céus. Da mesma forma, os outros exemplos são tradições, onde também podemos encontrar seus dogmas caminhando lado a lado. O casamento de branco, exemplificando a pureza, que como dogma transpassa a certeza de que as mulheres que não mais são puras, não merecem a benção de Deus em sua união, e no ultimo exemplo, onde atesta que os fieis que não buscarem a redenção na confissão, também não será merecedor do perdão divino.

Estes são apenas alguns exemplos, mas podemos encontrar muitos outros exemplos em diversas outras situações, como as tradições que existem junto ao serviço militar, com seus dogmas andando em compasso, ou as tradições de cada povo, em cada região, criando também dogmas que se fortalecem, a cada instante em que a tradição é posta a vista.

Desta forma, não creio que a palavra “complemento”, seja a mais adequada para se utilizar no contexto dos dogmas e das tradições, acho que seria mais apropriado utilizar o termocomensalismo”, já que os dogmas precisam das tradições para se fortalecer, já as tradições, se fortalecem por si mesmas, junto ao seu povo, e independem dos dogmas para existirem.

Cultura e Natureza Humana

natureza

Quais culturas compõem nossa propria cultura?

Se formos analisar a pergunta acima, torna-se muito claro que não existe uma resposta simples. A cultura brasileira é uma mistura de muitas outras culturas, uma miscigenação que ocorre desde o tempo de seu descobrimento, a mais de 500 anos. Desde que o primeiro aventureiro chegou às terras brasileiras, ainda desconhecidas, descobriu um novo mundo onde predominava uma única cultura, a cultura dos índios “selvagens” que por aqui habitavam e coexistiam com a natureza.

Estes colonizadores trouxeram em suas bagagens, uma nova cultura, já influenciada por muitos anos de existência, e a partir deste momento, começou a grande mistura de idéias dentro deste nosso território. No principio, a cultura dos nativos foi subjugada, dando se prioridade para a cultura do velho mundo que por aqui se instalava, com a mudança de nosso idioma natal, como também de nossa forma de vida. Após anos de um “massacre” cultural, logo predominava a nova cultura, mas sem deixar de ainda existir reminiscências da cultura nativa, que se adaptou de forma a incorporar as novas idéias trazidas de além-mar, e formar assim o começo de uma nova linguagem.

O tempo seguia seu curso natural, quando começaram a adentrar os primeiros navios negreiros, que foram buscar em outro continente (uma cultura totalmente nova), mão de obra barata para suprir a quantidade de trabalho e exploração aqui realizados. Com a entrada dos escravos em nossa cultura, já subjugada pela cultura do velho mundo, houve uma nova adaptação de nosso modo de viver, onde o confronto das culturas, umas mais fortes e predominantes, outras já em estado final, criaram novamente uma linguagem corporal e existencial diferente de qualquer outra existente.

Além destas intervenções bem conhecidas, podemos citar muitas outras que ocorreram nos anos que se seguiram, como por exemplo, a invasão de nossas terras pelas demais culturas: italiana, japonesa, holandesa, entre muitas outras. O Brasil, como nós conhecemos, se tornou um “porto sem dono”, onde se criou uma sociedade mista, com influencia cultural vinda de cada canto do globo.

Não é possível ainda, analisar os benefícios ou malefícios que isso causou a todos nós, pois apesar desta invasão existente desde o principio ter destruído com a cultura pré-existente, também trouxe muito mais conhecimento, proporcionando o surgimento de um povo que tem um pouco de cada país, um pouco de cada continente, um pouco de cada cultura do planeta.

Mesmo cada vez mais raro, ainda é possível ver os mitos nacionais, dentro do folclore, descobrir o conhecimento de gente da terra, que superou a influencia externa e ainda mantém vivo dentro de si a cultura original, e tudo isso, mesclado com novas culturas, novos símbolos, novas crenças e expressões.

A influência disso tudo, não é apenas sobre mim, mas sim sobre cada individuo que coexista neste território. E ao mesmo tempo em que toda essa mistura de culturas e sabores faz bem e proporciona um maior conhecimento sobre a vida, também é importante destacar as nossas origens, a nossa “brasilidade”, e respeitar ambas as situações, coexistir em meio a todas estas culturas, com uma personalidade própria e saudável, pois não importa realmente a cultura em que vivemos, e sim, o que fazemos de nossa vida, de acordo com a nossa cultura.

Abraços e sucesso sempre…