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Renovação com o coaching

Todos são unânimes – sejam atores, diretores e outros profissionais da classe artística – em afirmar que a reciclagem é necessária e importante ao longo da carreira. O coaching, uma técnica relativamente nova no Brasil, mas muito conhecida lá fora, tem sido utilizada por atores como ferramenta de aprimoramento de uma personagem e crescimento do trabalho do ator, seja no palco e para sua vida artística e pessoal.

Segundo a coach, atriz e bailarina Kátia Barros, o autoconhecimento deve ser contínuo, e o exercício cênico e corporal é ilimitado. “Estamos sempre em estudo, potencializando nosso repertório profissional e pessoal”, diz Kátia.

Para a profissional, que já fez parte do elenco de grandes produções musicais e direção de movimentos para espetáculos como “Naked Boys”, “Divas no Divã”, entre outros, a consciência corporal só tem acrescentar à expressão artística. Kátia iniciou a atividade de coaching há três anos e sua atuação consiste em “acordar o corpo dançante e cênico do ator e do bailarino, atravéz da conciência corporal e técnicas de dança. O objetivo do coaching não é fazer do ator um bailarino ou um cantor, e sim agregar elementos novos à sua vida”. Kátia ainda recomenda que este trabalho deve ser iniciado no mínimo dois meses antes do elenco começar os ensaios.

O coaching traz benefícios à carreira do iniciante e renova as características do veterano. Atualmente, a coach Kátia Barros, com experiência em musicais da Broadway feitos no brasil, está desenvolvendo um trabalho para um espetáculo musical que estreia ainda este ano. A sua direção de movimento é inspirado especialmente com bases em técnicas do teatro e da dança. “Como atriz e bailarina eu sempre busco manter meu material de trabalho atualizado e flexível”. Num dos seus trabalhos de coaching, ela cita o exemplo da atriz Maíra Dvorek, que tinha o desafio de desenvolver uma atriz de cabaret.

No espetáculo “Oleré! Olará!”, que está em cartaz no Café-teatro O Inflamável, em São Paulo, Maíra interpreta uma personagem híbrido homem/mulher, comum na época do teatro de revista. “Eu nunca tinha feito um trabalho como este, eu adorei porque a parceria com a Kátia conseguimos compor a personagem com lirismo e humor. Me senti segura”, completa a atriz. Em seu monólogo, Maíra desenhou um comportamento entre a figura masculina e a feminina, com movimentações cênicas construídas junto com sua coach.

O processo Coaching

Atores e diretores comparam o trabalho do coach (designação para o profissional) com a de um personal, que faz um trabalho meticuloso de gestual, de intenção de como alcançar a emoção melhorando o desempenho corporal, emocional ou vocal. A técnica é muito usada também no cinema na preparação de atores, e o coach atua como um segundo diretor.

A atriz Fernanda Barcelos, que atua desde 1998 na preparação de atores, explica que essa ferramenta auxilia no desenvolvimento humano do coachee (designação para o ator). Ao iniciar um trabalho de coaching, ela faz um levantamento do momento atual e pessoal do ator. Utilizando-se de ferramentas e jogos teatrais, Fernanda vai desenvolvendo um contexto pontual do trabalho requisitado. “Tenho um caso bem interessante, uma atriz nunca tinha feito um espetáculo de comédia, infantil ou musical, trabalhamos durante um mês suas habilidades com exercícios corporais, improvisação, jogos e temas como o burlesco, o lúdico e a leveza”.

A profissional assegura que o crescimento é visível e que o ator carrega esse aprendizado pela vida inteira. Fernanda não só trabalha com atores, mas também desenvolve o coaching com músicos, designers e jornalistas. Hoje em dia ela atende uma escultora em Londres. “As pessoas querem estar contentes e para quem está comprometido com a carreira o coaching é uma excelente ferramenta de desenvolvimento humano. O ator está em constante evolução profissional durante toda a sua vida artística”, finaliza Fernanda.

Fonte: Jornal do Teatro

Ferramentas de Coaching – Ensaio Mental

mentalVocê já deve ter escutado a expressão: “o ser humano não usa nem 10% de seu cérebro”. Ainda hoje alguns desavisados falam sobre, como se isso fosse verdade. Nós usamos todo o nosso cérebro. O que ainda não aprendemos é usar todo o potencial armazenado no cérebro, isso significa que o ser humano usa pouco de suas reservas cerebrais. Nos anos 50, Dr. Paul Maclean, chefe da Brain Evolution For The National Institute Of Mental Health, criador do conceito do Cérebro Triuno (três em um), descreveu que o nosso cérebro é composto por três sistemas, cada um funcionando com características diferentes: Sistema Reptiliano (tronco cerebral, onde acontecem os padrões automáticos e rotinas ligadas à sobrevivência), Sistema Límbico (situado entre o tronco cerebral e os hemisférios, onde as emoções são originadas), e Neocórtex (dividido em hemisfério direito e hemisfério esquerdo). Neste artigo vou enfatizar a importância do sistema límbico para mobilização do nosso potencial interior. O sistema límbico é o “vulcão das emoções”. É o centro da busca pelo prazer e pelo afastamento da “dor”. O que sabemos é que o sistema límbico reage aquilo que é real e imaginário. Ele responde aos estímulos, independente de ser verdadeiro ou imaginário/fictício. Ao dar as respostas aos estímulos, o sistema límbico mobiliza o sistema endócrino glandular – o arsenal químico do organismo, e assim uma série de respostas fisiológicas, e portanto, emoções. Analise o exemplo: Você está num cinema de ultima geração, assistindo um filme de terror, daqueles que prende você do início ao fim do filme. De repente o assassino corta o pescoço de uma jovem. Você vê a cena e salta da poltrona, seu coração pula e você muda sua fisiologia. Perceba que o seu cérebro racional sabe que aquilo é um filme, que aqueles são efeitos especiais. Mas porque reagimos a esta situação dessa forma? Porque o sistema límbico não faz esta distinção, se é real, ou imaginário ele responde. Sabendo disso, nós podemos usar as imagens mentais para mobilizar nosso potencial, ou seja, podemos estimular nosso sistema endócrino glandular para que as emoções nos ajudem a direcionar a nossa atenção e o nosso comportamento aos nossos desejos/objetivos. A imagem eidética, composta por cores, brilho, tamanho, sons e sensações, estimula o sistema límbico. Por esta razão é extremamente importante exercitar constantemente a auto-imagem. Criar uma auto-imagem positiva de si mesmo é potencializar-se para vencer, porque isso reforça a auto-estima, permitindo uma maior confiança para encarar os desafios na vida. Por esse motivo, também é fundamental formular objetivos específicos em nossa vida e colocar o filme completo da conquista do objetivo na tela mental, e repetir constantemente. Todas as nossas células serão programadas conforme a informação fixada pela imagem no sistema límbico. Faça isso. Exercite a imagem mental constituída pelos resultados positivos que você deseja obter. Lembre-se que ao fazer este exercício, o cérebro não distinguirá entre uma imagem real percebida pelos sentidos e outras produzidas imaginariamente, sendo que, de qualquer forma serão produzidos os efeitos como se fossem reais. Existem duas regras importantes: 1 – ter o objetivo e o desejo verdadeiro para fixar na tela mental. 2- repetir várias vezes a visualização. Quanto mais você reforçar a imagem mental, mais emotizado ficará seu objetivo. As chances de conquista aumentarão muito.